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Quarta-Feira | 02/08/2017
Apenas 39% dos bebês brasileiros de até 5 meses são alimentados só com leite materno, diz OMS

Somente 38,6% dos bebês brasileiros se alimentam só com o leite da mãe nos primeiros 5 meses de vida, segundo um relatório Organização Mundial da Saúde divulgado nesta terça-feira (1º). A taxa é considerada abaixo do ideal, mas regular em relação a outros países pela OMS -- a média mundial de amamentação nos primeiros 6 meses de vida fica em torno de 20% a 40% (a diferença no número de meses se deve ao fato de os dados disponíveis não serem padronizados).

No quesito alimentação exclusiva de leite nos primeiros meses, o país está na frente da Argentina (33%) e atrás da Bolívia (64,3%). Quando considerada a amamentação até 1 ano, o índice brasileiro melhora (47%) ; até os 2 anos, contudo, esse número cai pela metade (26%).

A Organização Mundial da Saúde ressaltou ainda que apenas 23 países no mundo superam a taxa de 60% de amamentação exclusiva nos primeiros meses. A avaliação da OMS, a "Global Breastfeeding Scorecard", analisou a amamentação em 194 países.

A entidade também avalia como crítico o investimento do Brasil em amamentação -- que é de menos de US$ 1 por bebê. O Brasil, no entanto, sai na frente em regulamentações e diretrizes governamentais para a área. Também atingimos a meta de 100% na implementação de melhorias em comunidades para incentivar o aleitamento materno.

Outro ponto importante divulgado nesta terça-feira pela OMS é que nenhum país segue inteiramente as diretrizes para a amamentação. A entidade recomenda amamentação exclusiva para bebês até seis meses de idade. O aleitamento materno também deve ser iniciado uma hora após o nascimento e se estender por até 2 anos -- com a combinação de outros alimentos.

Incentivo e dificuldades

A entidade afirma que um investimento de US$ 4,70 por bebê pode aumentar a taxa global de amamentação exclusiva entre crianças menores de seis meses para 50% até 2025. Essa meta poderia salvar 520 mil crianças menores de 5 anos e trazer um ganho econômico de US$ 300 bilhões nos próximos dez anos.

"Campanhas para o incentivo da amamentação vêm desde os anos 1990 e ainda temos alguns problemas", diz Marisa Patriarca, médica ginecologista e professora da pós-graduação da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). "Existe certa dificuldade da sociedade entender e apoiar a importância da amamentação". Para Marisa, é necessária estrutura adequada para amamentar:

"Empresas devem ter locais adequados e a mulher deve se sentir à vontade para amamentar em qualquer lugar", avalia a professora.

Prevenção de mortes

Uma das principais preocupações da OMS com a amamentação é a tentativa de diminuir o número de óbitos no momento em que bebês estão particularmente mais fragilizados -- ou seja, nos primeiros meses de vida. A amamentação previne diarreia e pneumonia, duas das maiores causas de morte em crianças, diz a OMS.

"É nesse momento que a mãe vai passar todos os anticorpos e nutrientes para o bebê", explica Marisa. Ainda, o leite materno contribui para a saúde em todos os aspectos e para o desenvolvimento cognitivo ao longo da vida.

Importância da saúde da mulher e licença

A professora da Unifesp frisa que é preciso focar também na saúde da mãe. "Ela não vai conseguir uma boa produção e um leite de qualidade se não estiver bem nutrida e alimentada. Tudo começa ainda na gravidez", explica a ginecologista. "Um ambiente de muito estresse também pode impedir a produção do leite."

Uma outra dificuldade para atingir as metas de amamentação -- pelo menos no Brasil -- é em relação ao prazo da licença maternidade, de 120 dias. "Depois que a mulher volta ao trabalho, ela encontra muita dificuldade de amamentar", diz Marisa.

"Hoje o recomendável é que o bebê mame por livre-demanda, ou seja, a hora que quiser. Isso é muito difícil no ambiente de trabalho e o ideal era que essa mulher conseguisse uma licença aleitamento", explica.

fonte: G1